Projetos
Orçamento de viagem: calcular antes, aguentar durante
O bilhete nunca é o problema. São as três semanas no local, e as quatro rubricas que ninguém conta.
Contar ao contrário
A maioria parte do valor que consegue poupar e vê onde isso a leva. Faz o contrário: põe primeiro um preço na viagem, divide pelo número de meses que faltam, e sabes logo se a data aguenta.
| Voos | 780,— |
| Alojamento (12 noites) | 960,— |
| Comida (12 × 45) | 540,— |
| Transportes no local | 220,— |
| Atividades | 300,— |
| Margem para imprevistos (10%) | 280,— |
| Total | 3 080,— |
| Em 7 meses | 440,— / mês |
440 por mês é uma decisão que se pode tomar. « Gostava de ir ao Japão » não é.
As quatro rubricas sistematicamente esquecidas
Antes de partir
Mala, adaptador, vacinas, visto, seguro de cancelamento, protetor solar. Facilmente 150 a 300 que saem na semana anterior.
Chegar ao aeroporto
Duas viagens, às vezes um táxi de noite, às vezes um parque por uma semana. O bilhete custa 780, lá chegar custa 90.
O câmbio e os levantamentos
Entre 2 e 5% consoante o cartão, mais custos fixos por levantamento. Em 1 500 gastos no local, até 75 perdidos.
O mês do regresso
O frigorífico está vazio, as contas continuaram, e a vontade de sair está intacta. O mês depois de uma viagem custa sempre mais do que a média.
A margem de 10% não é negociável. Não é para as recordações, é para o comboio perdido, o médico, a noite de hotel imprevista. Se voltas sem a ter usado, junta-se à viagem seguinte.
Aguentar o orçamento no local
A armadilha clássica: gastar 60% do orçamento nos primeiros quatro dias, e depois restringir-se o resto da estadia. Dois gestos simples evitam-no:
- Divide por dia, não por viagem. 45 por dia vigiam-se; 540 gastam-se.
- Anota na própria noite. Cinco segundos por despesa, e todas as manhãs sabes onde estás. Os custos de câmbio tornam os extratos ilegíveis de qualquer forma.
E se a data não aguenta
Três alavancas, por esta ordem: adiar a data um ou dois meses, encurtar a estadia (acima de uma semana as noites custam mais do que o voo), ou mudar de época. Baixar o orçamento diário no local é a pior das quatro: é a que estraga a viagem.
⚠️ E uma viagem não se financia com o fundo de emergência. São dois bolsos diferentes, para dois usos diferentes.
Perguntas frequentes
Como se calcula um orçamento de viagem?
Põe primeiro um preço na viagem rubrica a rubrica — voos, alojamento, comida, transportes, atividades —, junta 10% de margem, e divide pelos meses que faltam até à partida.
O que se esquece mais vezes?
As despesas antes de partir (mala, seguro, visto), as viagens até ao aeroporto, os custos de câmbio e levantamento, e o mês do regresso, que custa sempre mais do que a média.
Quanta margem prever?
10% do total. É para imprevistos, não para recordações: comboio perdido, médico, noite de hotel não prevista.
Posso usar o fundo de emergência para viajar?
Não. O fundo de emergência cobre os golpes duros; uma viagem é um projeto. Dois bolsos distintos, senão o primeiro deixa de servir para alguma coisa.
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